Autoconhecimento

Decifra-me ou te devoro: a importância do autoconhecimento em nosso percurso existencial

O mito da esfinge de Tebas:

“Um antigo mito grego relata que a esfinge de Tebas estava sempre atenta aos viajantes que passavam naquela cidade. Esta abordava o transeunte com o seguinte enigma: ” Qual o animal que de manha tem quatro patas, ao entardecer tem duas e ao anoitecer tem três patas”? Caso o enigma não fosse respondido corretamente pelo viajante, este era devorado pela esfinge. A resposta pontual era o “homem”.

Esfinge de Tebas                                                                 Arte de Gustave Moreau- Edipo e a esfinge (1860)

A humanidade, enquanto espécie, em sua caminhada existencial, sempre se questionou quem é, de onde veio, para onde vai. Muitas destas perguntas eram respondidas através de narrativas fantásticas, nascendo, assim, o mito. Tanto os fenômenos externos quanto seus processos internos eram explicados simbolicamente.

Em uma abordagem figurativa e mitológica, eram elucidados os questionamentos existenciais que os angustiavam, proporcionando, deste modo, alivio ou conforto psíquico para as perguntas que aturdiam os “enigmas” da vida de um modo geral e acerca das questões existenciais humanas. Este mesmo homem fez grandes progressos. Conseguiu compreender muito da essência de seres microscópicos e das leis da natureza, descobriu a existência de energias, mesmo aquelas invisíveis aos olhos humanos, bem como explorou o universo afora, motivado em encontrar vida em outros planetas. De fato, o homem é um explorador nato focado no mundo externo.

Arte de Brigo- Museu de Louvre-Paris                                          Arte de Brigo- Museu de Louvre- Paris

Neste desejo continuo de conhecer o que está “fora de si” e condicionados às intempéries externas da vida prática em nome da sobrevivência de sua espécie, em sua historia filogenética, o homem foi se formando em sua complexidade como ser multi-determinado, mas esquecendo de perscutrar seus processos dinâmicos internos e desta forma, reforçando a estereotipia comportamental através do distanciamento da sua auto escuta, tendo em foco os apelos externos.

Este mesmo ser humano conhecedor de tantas ciências, contraditoriamente não aprofundou no conhecimento de sua própria essência, pois ainda não foi capaz de responder ao grande enigma do famoso “Conhece-te a ti mesmo”, anexado no Templo de Delfos desde 650 a.C. Este enigma, o de “quem nós somos”, uma vez não revelado, encontra-se diretamente relacionado a eufagia do próprio ser: somos constantemente aniquilados pela ignorância de não sabermos quem de fato somos.

Abraços transmutadores,

Soraya Rodrigues de Aragão

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Sobre a autora

Soraya Rodrigues de Aragão

Soraya Rodrigues de Aragão é psicóloga, psicotraumatologista, escritora e palestrante. Realizou seus estudos acadêmicos na Unifor e Università di Roma. Equivalência do curso de Psicologia na Itália resultando em Mestrado. Especializou-se em Psicotraumatologia pela A.R.P. de Milão. Especializanda em Medicina Psicossomática e Psicologia da Saúde - Universidad San Jorge (Madri) e Sociedad Española de Medicina Psicosomática y Psicoterapia.

Sócia da Sociedade Italiana de Neuropsicofarmacologia e membro da Sociedade Italiana de Neuropsicologia. Autora do livro Fechamento de Ciclo e Renascimento: este é o momento de renovar a sua vida. Edições Vieira da Silva, Lisboa, 2016; e do Livro Digital: "Transtorno do Pânico: Sintomatologia, Diagnóstico, Tratamento, Prevenção e Psicoeducação. É autora do projeto «Consultoria Estratégica em Avaliação Emocional».

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