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Hibristofilia: atração sexual por homens criminosos

No meu último artigo: Violência contra a mulher: causas, conseqüências e serviços de ajuda, publicado em um dos portais que sou colaboradora, li alguns comentários que relatavam que as mulheres eram violentadas por serem atraídas por homens de má conduta, agressivos e até mesmo criminosos. Depois de agredidas, as mesmas iriam chorar sua dores e magoas para as Instituições reivindicando seus Direitos.

Justificar que mulheres são agredidas porque são atraídas por homens de má conduta, trata-se de um posicionamento bastante perigoso, pois neste fundamento, por a mulher ser responsável por suas escolhas, ela mereceria justa punição por qualquer dano que acontecesse a ela. Estas idéias e crenças generalizantes difundidas sem questionamentos podem intensificar a violência contra a mulher, podendo ser fator preditivo para fazer cair por terra todas as conquistas realizadas por elas até então no campo da vida pratica e no campo das mentalidades.

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Sim, existem mulheres que são atraídas por homens “fora da lei” e criminosos, inclusive existem investidas por parte delas de propostas de envolvimento amoroso e até mesmo pedidos de casamento. No entanto, neste caso trata-se de um grupo restrito de mulheres que apresentam um tipo de parafilia: a hibristofilia. A Hibristofilia, em linhas gerais, seria a admiração, interesse, atração sexual e volição de envolvimento sentimental por homens criminosos e delinqüentes. Uma pequena parcela com distúrbios representam todas as mulheres? Seriam todas as mulheres hibristofilicas? Seguindo este argumento, torna-se explicito que mais uma vez a mulher é a culpada pela violência que lhe é perpetrada, visto que é ela quem procede às más escolhas para sua vida. Toda generalização é pouco inteligente, além de perigosa, principalmente quando tratamos do ser humano.

Ainda não existe uma explicação científica para a hibristofilia. No entanto, o que se sabe é que esta parafilia esta relacionada com perfil de mulheres que provavelmente sofreram traumas de infância, perdas e lutos mal elaborados, abuso sexual e negligencia. Sendo assim, uma das hipóteses para explicar o comportamento de mulheres que sofrem de hibristofilia seria a necessidade de sentir fortaleza, sensação de domínio e poder envolvendo-se em situações perigosas através daquele perfil de homem. Além disto, na concepção delas, existiria baixo limiar de rejeição por parte deles, pela própria situação em que os mesmos se encontram. Este fato denuncia nestas mulheres uma estruturação psíquica fragilizada, em que existe a necessidade do outro para afirmá-las em suas necessidades de segurança, poder e domínio.

Que as mulheres não somente queiram respeito, mas que sobretudo saibam se respeitar para que os direitos históricos e conquistas adquiridas por elas no decorrer do tempo não sejam perdidos. E que sobretudo o comportamento de um grupo específico de mulheres com transtornos parafílicos não seja a referência principal do modelo de feminilidade, até mesmo porque a atração por criminosos, vagabundos, bandidos e assassinos não é regra geral entre as mulheres, mas sim de um grupo especifico que sofrem de um distúrbio e que portanto necessitam de tratamento.

Sobre a autora

Soraya Rodrigues de Aragão

Psicóloga, psicotraumatologista, Expert em Medicina Psicossomática e Psicologia da Saúde. Escritora e palestrante. Em processo de Formação em Terapia de casal e violência conjugal.

Equivalência do curso de Psicologia na Itália resultando em Mestrado. Especializou-se em Psicotraumatologia pela A.R.P. de Milão e em Medicina Psicossomática e Psicologia da Saúde - Universidad San Jorge (Madri) e Sociedad Española de Medicina Psicosomática y Psicoterapia.

Sócia da Sociedade Italiana de Neuropsicofarmacologia e membro da Sociedade Italiana de Neuropsicologia. Autora do livro Fechamento de Ciclo e Renascimento: este é o momento de renovar a sua vida. Edições Vieira da Silva, Lisboa, 2016; e do Livro Digital: "Transtorno do Pânico: Sintomatologia, Diagnóstico, Tratamento, Prevenção e Psicoeducação. É autora do projeto «Consultoria Estratégica em Avaliação Emocional».

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